domingo, 15 de março de 2015

Manual de convivência amorosa

     Você está enfrentando problemas a ponto de ligar para todas as amigas para ter certeza de que não está louca? Normal. Quando se começa um novo romance, temos a sensação de que a historia não irá longe ao aparecerem os primeiros desentendimentos. Porém, com o tempo, os laços vão se fortificando até que se percebe que aquela pessoa é quem nos traz emoção e felicidade, que vem com a paixão, o amor. 
     Certamente a experiência de morar com alguém é, acima de tudo, um desafio. Comigo não foi diferente. Brigas bobas que parecem ser o fim da picada na hora do quebra-quebra; palavras duras são ditas e outras piores vêm à tona. Um turbilhão de sentimentos, corações pulando pela garganta, falta de ar, rios de lágrimas... Até que haja um comum acordo, um respeito mútuo, um carinho recíproco. Sendo assim, passando dos seis meses pode-se dizer que o teste foi satisfatório. Se não passar disso, com certeza o amor entre o casal não foi maduro o bastante para lidar com as regras básicas de convivência amorosa... O que quero dizer? Bem, é muito simples: para que você seja bem-sucedido neste "negócio" não é necessário um manual de convivência amorosa de trezentas páginas. Você precisa apenas aprender (e ensinar) que o casal deve se tratar como ótimos amigos. Você não distrata um grande amigo, não é mesmo?
     Na sequência da receita, aprenda a ter paciência, respirar fundo e relevar "muitas" das coisas cuja importância seja insignificante perto do estresse que incomoda tanto a vida a dois.
Cobranças em demasia prejudicam o bem-estar e o apreço entre o casal, assim como discussões em público enfraquecem qualquer relação (brigue apenas com o olhar, fuja do mico e da raiva que isso pode causar). Existe hora certa, tom de voz adequado e tempo limite para debater ou tentar mudar manias (cuidado nesta hora, cada pessoa tem uma mania mais esquisita que a outra; não vale a pena um confronto frequente).
     E não esqueça de regar seu relacionamento; aprecie a companhia, elogie seu par seguidamente, faça surpresas periódicas e fuja da rotina. Isso tudo fará o casamento se tornar algo maravilhoso, não custa tentar ser feliz! Desentendimentos sempre irão acontecer, mas não podem durar mais de uma hora. Em caso de pane, reinicie o sistema e repita as operações indicadas anteriormente. 

sábado, 14 de março de 2015

A escolha do lugar


Vamos pensar na expressão popular "cada um no seu quadrado", É bem verdade que escolhemos estranhamente sempre o mesmo lugar para sentar quando frequentamos determinado local várias vezes na semana. Mas comecei a notar algo em mim mais curioso ainda: em cada lugar que frequento o cantinho que escolho para me acomodar difere. Por exemplo, na sala de aula gosto da metade da sala esquerda; na aula de dança do ventre escolho o lado direito da sala; na aula de zumba prefiro o lado esquerdo perto da professora; no treino de hapkido gosto mais do lado direito, na aula de treinamento suspenso e bike, gosto de ficar no meio da sala, bem em frente ao professor(a). Porém, em casa me acomodo em diversos lugares muito bem. Por que será?

Andei pensando sobre as energias dos ambientes, apesar de eu não ser o tipo de pessoa sensível. Ao menos nunca vi a aura de ninguém ou senti calafrios e tonturas dependendo das pessoas ou local.
Por isso comecei a trocar os lugares, afinal todos têm o direito de experimentar cada quadrado. Mas, quer saber? Começar a criar um padrão de localização parece doença. Mesmo sem saber se percebo diferenças energéticas inconscientemente, melhor continuar ficando onde me apetece.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sobre o filme A Teoria de Tudo

A história do gênio Stephen Hawking não é desconhecida. Todos sabem da sua situação atual, em que o cosmólogo vive preso em um corpo e apenas consegue fazer suas ideias serem ouvidas por meio de uma voz metálica através de uma tecnologia fantástica. Chorei baixo durante o filme quando ele começou com os primeiros sintomas da doença motora degenerativa. Sua namorada se mostrou forte o bastante para ficar ao lado dele e, inclusive, se casaram e tiveram três filhos lindos após o diagnóstico. As cenas me emocionaram muito, pois é raro vermos um amor tão grande capaz de lidar com a pré-morte a qual foram levados a acreditar que duraria dois anos. Fiquei impressionada com o humor dele e a forma como ainda era galanteador e confiante. Em pensar que muitas pessoas se acham incapazes de amar novamente quando julgam seus problemas de saúde um empecilho. No entanto, o cientista - assim que soube que havia encontrado outra pessoa mais preparada para a situação, que o admirava e apreciava cuidar dele - liberou sua já cansada esposa para seguir sua vida. Aposto que se ele não a tivesse dispensado, indo viajar com a enfermeira, ela o acompanharia até hoje.  Chorei alto no final do filme. Céus, como pode ser possível alguém com tão forte senso de humor e força? Lógico que o que vimos é apenas a melhor parte... O universo é algo muito louco mesmo, tão louco que ás vezes dá pra sentir a explosão das estrelas, a formação do buraco negro e a extinção desse buraco negro no interior do peito... Afinal, tudo passa e se transforma, não é mesmo? Sempre digo que nada importa mais do que a saúde... Mas pensando bem, nada importa mais do que a mente. Tudo o que existe em nossas vidas é resultado das somas e subtrações que fazemos, das nossas atitudes. Meu Mestre de Hapkido sempre diz que a dor é nossa amiga, mas ela também me assusta. Antes eu gostava mais de senti-la, pois é sinal de vida mesmo. Porém, sentir fisgadas é indício de quebra, esfarelamento e, portanto, há que se cuidar para não confundir a dor amiga da dor malvada. Para ser honesta, já sinto menos dor agora, já posso parar de escrever.

domingo, 25 de janeiro de 2015

"A MADRUGADA" (CONTO PREMIADO - VIII CLIPP/2014)

Era a terceira vez que a menina conferia o horário no relógio. Não gostava dele, mas não saber o horário provavelmente não ajudaria a dormir. O fato é que ainda não decidira entre tirá-lo da parede ou jogá-lo pela janela. “Qual seria a reação da pessoa que recebesse uma relojada na cabeça lá embaixo?”, imaginou a cena, considerando que, na melhor das hipóteses, ele faria um barulhão, pois não era “qualquer” relógio. Media por volta de 25 cm de diâmetro, feito de madeira e em formato de Uroboro. Ela refletia: Será que no além existe relógio? Quem morre usando relógio de pulso continua com a imagem dele em si. Mas deve ser só a imagem. É certo que ele não continua marcando o tempo, pois o tempo em outra dimensão é diferente. Tinha certeza que passava um trilhão de vezes mais rápido.
Droga, só de pensar nas possibilidades de existência de um simples relógio o ponteiro já havia andado quase meia hora a mais do seu possível sono.   “Ei, espera aí! O relógio e o clips foram as invensões mais preciosas e úteis que já tivemos! Sem marcar as coisas, minha memória seria pior ainda!”, disse para si. Realmente, Lis marcava todas as suas melhores lembranças com clips coloridos. Não tinha o hábito de marcar compromissos com clips na agenda; para isso existia a agenda do celular. O passado é que a preocupava, pois era difícil lembrar-se dos cheiros, do toque, das roupas, dos lugares comuns, das palavras ditas... O problema é que se lembrava somente dos traumas. Era por isso que seus olhos não dormiam. Seriam mais visões desagradáveis, mais sofrimento, mais saudade. Nessas horas sempre havia alguém querendo conversar. Estranhos de quem não podia falar. “Nem pense nisso, Lis Maria, não acreditariam em ti!”, repreende-se a menina magrela de 12 anos, que já estava com sua cabeleira crespa parecendo com a de uma bruxa, de tanto revirar-se na cama.
O friozinho aumentava e a dormência a invadia. Uma mão está sobre suas costas. Lis manda a entidade embora: “Não quero falar agora, vai embora!”, no entanto, após alguns segundos ela é chacoalhada. Vira-se num pulo, com os olhos arregalados no escuro. Ouve o barulho da árvore balançando do lado de fora da janela, o vulto se mescla ao movimento dos galhos. Espreme-se no canto da parede e, neste momento, consegue enxergar melhor. Era sua mãe. Enfim chegara o dia que prometera voltar, contemplar a filha e contar como era do outro lado, mas a menina havia esquecido a língua dos surdos e não entendia os gestos de sua mãe. Sua memória falhara em mais um detalhe. Percebeu que não adiantava viver sem passado. Queria conhecer o relógio de Deus, queria dormir tranquila. De tanto querer, o seu ponteiro parou marcando quatro horas.

Para sua surpresa, no lugar para onde sua mãe a levou ninguém dormia. Não havia agenda, clips, relógio, cobertor, comida, rádio, televisão e nem celular! “Ai que tédio! Eu quero voltar!”

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FURANDO A FILA

Muita gente pensa que usando atalhos se alcança o sucesso. Então vem aquele pensamento insistente: "E se eu deixar passarem na minha frente na hora errada? É melhor não subestimar nenhuma oportunidade! Elas aparecem exatamente quando estamos distraídos..." Sim, o seu comportamento será decisivo na aquisição de algo importante na sua carreira, porém, é preciso pensar com eficiência e agir da forma certa em relação aos problemas e tais oportunidades. 
Certamente o conceito de furar a fila não é o melhor caminho, porém, pode funcionar como uma metáfora de crescimento, tanto no campo pessoal como no profissional. 
Em certa ocasião me dei mal por estar usando uma bota com um salto barulhento. Tentei disfarçar que queria informações, tentei despistar quem já estava na fila, achando que estava levando vantagem, mas não adiantou. O fato é que muitas mulheres briguentas começaram a me xingar, pois já tinham escutado o tec-tec estridente desde o início da fila. Você pode pensar que foi uma atitude estúpida a minha, mas, na prática, não é mesmo isso que acontece quando estamos com pressa? Atitudes estúpidas sempre ocorrem, mesmo quando uma sequência de ações dá certo, ao agir de má fé acabamos tropeçando. Hoje tenho convicção de que para ser bem-sucedida o caminho mais eficiente é o da integridade e delicadeza, pois nessa tentativa de alcançar o melhor lugar perdi mais tempo do que se tivesse entrado na fila ao final dela. A ética é o ponto-chave e vale a pena. Fica a dica! 
Hoje as empresas devem procurar ser bem-sucedidas em tempo integral e ininterrupto; devido ao crescimento constante da competitividade, das inovações organizacionais e do marketing, elas devem estar em constante aprimoramento com seus clientes internos e externos. Caso contrário, há sim, outras mais astutas na fila! Para isso, felizmente, a força que move o planeta é a nossa vontade (um motor para o crescimento). Nada é mais poderoso do que pensar em fazer algo e seguir essa meta. Se não for de um jeito, será de outro; mas o resultado será a vitória. E quando se alcança um objetivo, deve-se pensar no próximo, como um processo cíclico, colecionando troféus e realizações. Quer saber? A forma mais eficaz de furar a fila honestamente é fazendo a diferença para os seus clientes. Algumas vezes temos que copiar boas ideias, mas o segredo está em fazer o mesmo de forma diferente!

Trabalhe forte e com prazer! Seja prático e criativo! Não perca tempo nem humor! Organize as obrigações e o tempo de lazer. Se você quer viajar e não tem um voo que se adapte às suas necessidades, vá de carro. Apenas siga viagem e aproveite a paisagem. Feliz 2015!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Dezembro Roxo

Hoje tive um sonho, e ele me lembrou que no ano passado estava tentando me livrar de algo, mas essa sensação ainda está lá, eu é que não sabia. Veio em forma de lembrança, veio em forma de uma possível vontade. Uma vontade também minha, ou somente minha? 
Novamente não consigo entender o que aconteceu, no meio de tantas coisas, esta voltou a me chamar, mesmo que eu faça tudo para não olhar. 
Uma assombração que dá saudade, esquisita e grandiosa. Enfim, tanto tempo se passou, e até agora nada mudou.
Eis que escrevo e concluo que no ano que passou, tudo foi maravilhoso, desafiador, conturbado, e roxo.
Passo e repasso; não penso nisso, mas lembro daquilo. Então um sonho vem me importunar só para solicitar: me paga uma coca?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

AQUELA VELHA HISTÓRIA...

Então apareceu um jovem sem problema algum de saúde aparente, entregando um pedaço de papel a todos em volta, na parte aberta do restaurante onde eu almoçava. Naquele papel dizia: "Pedir é melhor do que roubar! Com apenas 10 ou 50 centavos minha família come".
Cheguei a pegar uma caneta para escrever no verso: "Mas trabalhar é melhor ainda, principalmente para um rapaz da sua idade!"
Infelizmente ele já se aproximava novamente, então apenas lhe devolvi a mensagem.
O fato é: o que o impede de trabalhar? As drogas? A preguiça? Ou a certeza de que com esse tipo de mensagem intimidadora as pessoas simplesmente abrirão suas carreiras e lhe darão o sustento fácil?
Uma coisa é certa, além de ser perigoso abrir carteira na rua, conheço muitos pedintes que têm casa e até recebem bolsa família. Existe um caso de uma senhora que pede moedas há anos na redenção; no entanto, ela tem casa e é aposentada. Digam o que disserem, mas eu não dou esmola, principalmente pra jovens bem nutridos e sem-vergonha. Eis o motivo de nosso país ser o oposto da ordem e progresso, a própria população se deixa enganar por ter medo ou, muitas vezes, por ter falta de iniciativa e pensamento crítico. Parece que moradores de rua brotam a cada dia, e como eles "não gostam" das regras dos albergues, ficam amedrontando as pessoas e incomodando em locais públicos. Outra coisa muito errada, pois todos devemos seguir regras, todos pagamos impostos. Em geral, quando há exceção, há bagunça. O fato de não gostarmos de algo não nos permite, na maioria das vezes, que possamos escolher. Porém, para existir uma sociedade igualitária, é preciso organizar a sociedade. Admiro aqueles que, como certo rapaz que conheço, já foram moradores de rua e agora trabalham e tentam cuidar de seu sustento, como todos nós. Esse rapaz, hoje, tem dois filhos, esposa, e trabalha em um Pub muito conhecido em Porto Alegre.