sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cada um é composto de vários

Se você é uma pessoa sociável, já deve ter tido contato com muitas pessoas. Umas, se tornaram mais próximas; outras, apenas passaram por você e mantiveram-se como conhecidas. Duvido que a cada ano você não tenha recrutado ao menos uma amizade nova.  Portanto, a cada ano você adquire um trejeito, uma característica ou uma mania da pessoa nova que conheceu. Com certeza foi algo marcante e engraçado, caso contrário não imitaria.
Parece difícil de acreditar que você está agindo como aquela ou aquele outro agiria! Até é possível visualizar o rosto da criatura durante o ato teatral! Mas quem é que vai adivinhar? O que importa é que se lembrou dessa pessoa e resolveu reproduzir uma careta dela para matar a saudade, então você ri.

Felizes os que têm pessoas para admirar e imitar! É ótimo que minha personalidade tenha vários “eus”, pois quando eu estou com vergonha, imito a Fulana; quando estou muito agitada, imito a Ciclana; quando estou sem criatividade para ser engraçada, imito a Beltrana. Assim, nunca fico de lado, me enturmo mesmo estando tímida, me recolho e escuto mais do que falo quando não é da minha conta, e me divirto quando as pessoas riem da minha piada, contada pela minha boca, mas vinda de outra face que imaginei. Foi desse modo que minha mente se formou para se adaptar ao meio. Posso ser variada e me tornar única. Por isso tenho um nome exclusivo, pois meu tronco nasceu de um jeito geneticamente, mas fui lapidada por onde fui passando e agora meus galhos produzem flores que só eu tenho. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

A fratura de Anderson Silva

Sempre assisto às lutas do UFC, imaginava que o Anderson ganharia do Chris Weidman, mas aconteceu uma fatalidade que nunca havia visto. Imaginei-me no seu lugar; quantas vezes eu fui dar um chute nos treinos de Muay Thai e o oponente defendeu com o joelho? Nossa, que dor! Eu sei o que é se lesionar gravemente lutando, pois já rompi o ligamento cruzado anterior no ano de 2006... Foi uma dor imensa. Fui me recuperando aos poucos, competi, ganhei e, depois, trabalhando em uma loja de materiais de construção, comecei a sentir dores diárias, pois caminhava o dia todo, subia e descia escadas o tempo todo. nos treinos nunca sentia dor. Acabei operando o joelho.Parei definitivamente de treinar. Só que o trabalho continuou me torturando e acabei ficando lá porque os donos eram gente boa de vez em quando (exceto o fato de explorarem todo mundo) e porque tinha medo de ficar desempregada. Depois de mais dois anos, as dores começaram a piorar no quadril. Continuava na mesma empresa, então, acabei operando os dois lados do quadril. Há exatamente dois anos atrás, meu médico disse que eu poderia fazer uma infiltração para melhorar a cicatrização da cartilagem, pois já se passara quatro meses da última operação. Foi a pior coisa que já me aconteceu. Passei todo o período de férias da faculdade e, lua de mel, (Julho/2012) no hospital, a dor era tão forte, nos dois lados, que meu marido não podia mexer no colchão da cama que eu gritava de dor. Quando voltei ao trabalho, meu chefe disse que eu não poderia ficar vendendo por telefone, então não teve jeito. Não tinha condições de continuar trabalhando lá sem apoio de ninguém.
Por isso, sei o que é uma dor no osso. É a pior do mundo. Sinto muito pelo Anderson, na verdade sinto por todos os atletas que têm uma vida saudável durante a carreira e que, perto de se aposentar, ficam quebrados: Pelé, Gustavo Kuerten, Randy Couture, Minotauro... Bem, pensando nas ressalvas, este último, já é quebrado há muito tempo! Já Randy Coulture deve ter ficado com o dente mais bonito do que era, afinal tem grana! Gustavo e Pelé, meus companheiros de dor no quadril, também têm médicos ótimos.

De qualquer maneira, é muito broxante saber que somos de vidro. Eu sempre quis tanto ser ninja, mas percebi que só existem nos filmes. E, mulheres, parabéns! Estamos sendo muito bem representadas pelas lutadoras de hoje em dia! As lutas femininas estão quase melhores que as masculinas! Ótima luta entre Ronda Rousey e Miesha Tate. Só acho muito idiota essa Ronda entrar no ringue fazendo aquela cara forçada de mau. It’s not necessary, baby. Porém, nunca quero me encontrar com “nenhuma” delas pessoalmente! O que são aqueles músculos?? E aquelas quedas da Ronda? Nossa, isso assusta! Prefiro lutar com meu marido um boxe caseiro, mesmo apanhando pra valer! 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Fim de um ciclo, começo de outro

No peito há um relógio; na fonte, outro. O ponteiro gira e retoma o movimento, amplia o ritmo e reduz o tempo, todo o tempo, infinitamente. Eu, uróboro, cresço e devoro-me, agarro meu rabo e atinjo o equilíbrio e a temperança feminina. Estou pronta. Contorço-me e me transformo em duas hélices conjugadas. Vou e volto através de meus polos. E agora, o que me resta? Tudo, ainda não estou pronta. 
No jogo da vida passamos a bola, ao passar a bola não vemos mais nada, só a bola. Não vemos o fundo, não vemos as pistas, não vemos oportunidades. É preciso experiência para passar a ver outras bolas de outras cores, outros participantes do jogo, outros elementos. Planejar é bom, mas não demais. Fazer é que torna-se importante. Se colocar no lugar do outro, ver os lados opostos, ser homem e mulher, ser água quente e fria, contornar os obstáculos. Em 2014, integre-se com o mundo, com o planeta e os seres vivos. Busque sabedoria e equilíbrio. O relógio cósmico não para, mas algumas coisas podem ser retomadas e consertadas. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A REALIDADE DAS LIDERANÇAS NO MEIO NATURAL


Não se iluda com o número de páginas de um livro, isso não influencia na sua qualidade. De fato, descobri esse importante detalhe ao ler “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway (originalmente publicado com o nome The man and the sea). Este pequeno livro tem aproximadamente 100 páginas, foi publicado em 1952 e, dois anos depois, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Há uma grande integração com a natureza. Riquezas e vivências, conhecimento que o personagem Santiago nos passa a respeito da vida, pescaria, conhecimento de mundo e da natureza. Realmente digno de premiações e com uma linguagem simples e atraente.
Já havia percebido a grandeza de outros pequenos livros, como “A revolução dos bichos”, de George Orwell (originalmente publicado com o nome Animal farm). Trata-se de uma história envolvente onde os animais lutavam por mais cuidados, por sua liberdade e para construir um espaço em harmonia com os bichos; trabalhando e cuidando de seu próprio sustento sem precisar sustentar os humanos, nem tampouco dar-lhes dinheiro sem receber nada em troca. Pouco a pouco, com a liderança dos porcos, que dentre os animais eram os mais inteligentes, as coisas vão se dirigindo para uma política capitalista e autoritária, muito próxima das práticas humanas. Os porcos passam a se comportar como se fossem melhores que os outros, pois tinham as melhores ideias e maiores responsabilidades. Fica evidente que em todo o lugar onde for necessária uma liderança haverá disputa por poder e corrupção. Assim como em “O Senhor das Moscas”, de Willian Golding (originalmente publicado com o nome de Lord of the Flies), o contrário acontece: os pais de um grupo de crianças inglesas providenciaram um avião, em uma tentativa de tirá-los dos bombardeios da Inglaterra, que durante a viagem caiu em uma ilha deserta.  O piloto morre, as crianças ficam sozinhas, sem adultos ou qualquer instituição, forçados a viver juntos em um estado natural. Da civilização, passam aos poucos a esquecer; precisam de alimentos e manter a fogueira acessa para o caso de aparecer regate. Porém, nem todos estão de acordo. O instinto da caça fala mais alto no grupo do Coro, liderado por Jack e, do outro lado o grupo de escolares, liderados por Ralph, que tenta manter a ordem, respeito e dignidade. Este, de fato, é um livro mais grosso e com mais detalhes e simbolismos, percebe-se que inserido em estado natural, nosso lado selvagem fala mais alto.

A necessidade de sobrevivência nos faz selvagens? Ou sempre fomos? Somos todos irmãos: humanos e não-humanos. Precisamos dos animais para nos acompanhar, para manter o equilíbrio, para mantermos nosso sustento. Eles nos ensinam a ter persistência, ter força, ter coragem e, ainda, são incrivelmente belos. Nós existimos para proporcionar que eles se reproduzam, para manter a ordem e para garantir que nossos irmãos, os animais, tenham sua serventia, pois cada espécie tem seu valor e suas características específicas, dependendo do meio em que vivem. Nós não somos nada mais do que animais habitando cidades; já os animais são humanos que habitam a floresta. Nenhum é melhor do que o outro; nós não somos melhores que ninguém. Essa é a realidade. A realidade também é subjetiva e espacial, isto é, depende do ponto de vista dizer o que é real. Esse é o meu ponto de vista que pertence ao meu conhecimento de mundo e à minha imaginação.

domingo, 22 de setembro de 2013

Indicação de leitura

Tenho pensado muito na forma como viviam e vivem os Ìndios, a pureza, a sabedoria, alimentação, costumes. Além de eu ser descendente de Índios, minha pesquisa sobre a Ecocrítica, em especial na obra Avalovara, de Osman Lins, tem caminhado para este lado. Ou sou eu que tenho me inclinado à isso? O fato é que pela perspectiva da Ecocrítica não existe uma linha divisória entre humanos e não humanos, a natureza e seus elementos estão integrados e mediam as relações entre os seres. Por tudo isso, ninguém melhor que os primeiros donos da nossa natureza para que percebamos a importância do meio ambiente e do amor que deveríamos ter com ele.
Este livro retrata todo esse amor
e respeito.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Contos de Som e Silêncio

Para quem gosta de literatura, arte, música, inovação, etc., ofereço meu livro e de meus colegas de contos! São contos inspirados em letras de músicas, a minha é Medo da Chuva, de Raul Seixas e Paulo Coelho. Há outros 12 contos com autores de diversas partes do Brasil, diversas músicas para sonhar, viajar. Seguem os nomes dos autores: 


Livro coletivo - Organizado por Marcelo Spalding

Alexandre Braoios,
Bertolina Maffei, 
Carolina Utinguassu Flores (eu),
Clara Oliveira, 
Érika Gentile, 
Evelena Boening, 
Fatima de Barros Plein,
Fernanda Carvalho,
Isi Caruso,
Jussara Maria Nodari Lucena,
Marcelo Spalding,
Marcio Tadeu Furrier e
Valesca dos Santos Pederiva.


LER É MANTER-SE VIVO, CRIAR É 
PARTICIPAR DO MUNDO, PESQUISAR É
EXPANDIR HORIZONTES, COMPARTILHAR É
ESTAR NO CENTRO DA TERRA, REGAR A ÁRVORE É ADQUIRIR GALHOS, GALHOS SÃO CONHECIMENTO, CONHECIMENTO É MANTER-
-SE VIVO PARA REPETIR A LEITURA. 
Tudo é repetição em ritmo, a cada repetição
eu cresço. A espiral nunca acaba.

Por Carolina Utinguassu Flores

Interessados em comprar esta bela coletânea (R$ 15,00) entrar em contato pelo e-mail: carolflores02@hotmail.com

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A ESPAÇOSA


Quero escrever, escrevo agora como nunca escrevi antes. Todos os nomes me vêm à mente, expressões e vontades irrequietas para serem projetadas, produzidas e empurradas para o grande mundo que existe fora da barriga.
Achava que não gostava de poesia, achava que não conhecia a métrica, o ritmo e a profundidade de poetizar. Achava que não iria querer coisas que, agora, se encaminham para um “sim, eu aceito”. Parecia que nunca casaria e então, como um presente de Deus espontâneo eu tenho agora o maior de todos os casamentos do cosmos  e suas raízes, de outros pequenos casamentos, outros radianos  com diferentes ângulos que se desprendem do núcleo que gira em torno de uma grande luz. Vejo a luz contornando os caminhos, vejo a luz mesmo quando ela dá lugar à escuridão que também é bela.
Obrigada Renato Russo por cantar para mim sem eu pedir e me mostrar o que nunca enxerguei nas palavras soltas que simbolizam o que pensava minutos antes, se disciplina é liberdade, já estou livre. Hoje eu sofro para rir, e muito, amanhã.
Estou quietinha, mas trabalhando a mente. Meu descanso é quando exercito o corpo. Estou no caminho certo, ninguém precisa afirmar, sei quando estou errada e quando não estou. Crio, copio, modifico, parafraseio, conto. Tudo começa em um conto, por isso comecei, fiz, faço e farei. Não farei para ganhar dinheiro, farei para que um dia eu não esteja mais aqui e escute de cima muitas vozes falando de minhas obras e pontos de vista. Então não morrerei. Será, então, que reencarnarei? Se reencarnar, ouvirei as vozes chamando meu antigo nome? As engrenagens  lunares e solares estão engrenadas entre o movimento planetário mágico e cíclico, infinitamente gerando o caos, pois nada é totalmente linear. Assim não é o ciclo masculino, muito menos será o feminino.

O que seria dos inteligentes se não existissem os burros? O que seria dos espaços vazios se não existissem os espaços preenchidos? Nada existiria, nada se sobressairia ou se confundiria. Se meus quadris não doessem mais eu poderia ser mais feliz, mas quem não tem limitações? Quem não tem seu lado ímpar? Não sou retilínea, não sou curvilínea, tenho minha própria forma, ordem e espaço. Sou “uma” coisa única, mas não sou redonda. Sou limitada, mas não quadrada. Achava que não queria. Achava que não chegaria a ser geométrica